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| A FORÇA DE UMA COMUNIDADE Walter Nicolau Comissão de Carnaval 2004 Sábado do carnaval de 2004, já passavam das 23:00 horas, a Comissão de Carnaval e o Diretor de Harmonia, ocupados em organizar a arrumação da escola, conforme o cronograma de desfile, ala por ala, alegoria por alegoria. Distribuídos dentro da escola, ainda na armação que este ano era do lado do Edifício Balança mas não Cai e a grande preocupação era com a colocação das composições nos carros, uma vez que todos estavam com resplendores enormes. A cada vez que eu passava por algum setor, podia observar que os componentes, meio que deslumbrados, se dividiam em arrumar suas fantasias e observar o tamanho das alegorias. Pareciam não acreditar que estavam se preparando para entrar na Avenida Marquês de Sapucaí, defendendo a Acadêmicos do Cubango. Em vários momentos eu escutava sempre a mesma expressão:...”O que é isso, nunca vi a Cubango desse jeito!”. Impossível era não sentir orgulho pelo trabalho desenvolvido pelo nosso presidente, pela sua diretoria, os carnavalescos, o pessoal do atelier e a Comissão de Carnaval. O tempo passou sem que ninguém percebesse e a Escola começou a se deslocar para o local de entrada, posicionando o abre-alas na frente da faixa de início de desfile...Bateria no recuo... Intérpretes no carro de som...Tudo pronto. O primeiro problema: os dois pernas-de-pau, contratados para carregarem estandartes que iriam dividir, o primeiro do segundo setor não apareceram. Na pista mesmo, a Comissão de Carnaval decide colocar em seu lugar a ala do Conselho, cujos membros vinham de camisas e não estavam integrados ao enredo. Após a palavra do Presidente, os intérpretes
iniciam o samba: “É um sonho...” e como que, numa amostra
do que estava para acontecer...Todos componentes cantam a plenos pulmões...
A alegoria balança nos movimentos das suas composições. É de fazer chorar. A escola, compacta, se desloca sob um misto de ovação e estonteamento da platéia. Quando a bateria se prepara para entrar no desfile, observo que o terceiro carro não consegue fazer a curva da entrada da pista. Saio correndo como um louco em direção a ele e quando chego, para minha grata surpresa, o carro já estava se alinhando, com a sua equipe sendo ajudada por uma série de compositores, que não sei como conseguiram ver o problema, e mesmo estando atrás do quinto carro, correram para resolver a questão. Os diretores de harmonia, não acreditavam no que viam. Os componentes pareciam incorporados de alegria, cantavam com afinco tão grande, que faziam a arquibancada e os camarotes dançar. A coreografia do mesmo carro que me referi acima, empolga a multidão. As passistas parecem possuir asas nas sandálias, flutuavam. A bateria. Ah!... A bateria...Arrancava aplausos e gritos a cada uma das suas sete convenções. O casal de mestre-sala e porta-bandeira dança como bailarinos saídos de palcos dos grandes teatros. Quando tudo parecia definitivo, o quinto carro repete o problema do terceiro e, novamente toda a ala de compositores está lá para definir a manutenção do conjunto da escola. Os comentaristas da televisão, de pé, reverenciam a escola. Deu para perceber a grande surpresa que o desfile da Acadêmicos do Cubango estava causando na imprensa. Sem que se pudesse perceber, o tempo havia passado. A bateria, que havia efetuado o seu recuo com perfeição, já se prepara para sair, atrás da ala de compositores e a frente da velha guarda. Quando toma a pista novamente, todos que estavam nos setores 6 e 13 estão de pé, batem palmas, levantam os braços acompanhando a coreografia da bateria. Os que estavam nas frisas pareciam enlouquecidos com a cadência ditada pelos diretores. Chegava ao fim o desfile e, todos: componentes, diretores,
ritmistas, sentiam o prazer do dever cumprindo ao fim de 55 minutos, todos
se abraçavam e alguns, não contiveram as lágrimas...UM
GRANDE DESFILE. |
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