Tendo por base essa "história contada", a Acadêmicos do Cubango (re)conta num misto de fábula o que teria sonhado um gigante menino da cabeça de sol (o Brasil).
Adormecido nas profundezas do imaginário, o menino gigante fizera contato com acontecimentos que, fundindo personagens, lhe traziam imagens promovedoras de situações um tanto quanto familiares.

INDEPENDÊNCIA OU MORTE
Um grito, às margens de um riacho, engrandecido e quase eternizado no embalo de ecos, fora ouvido. Bizarro quadro constitui-se provocado por figuras muitas vezes exóticas. Na "verdade daquele sonho", dragões de uma chamada "independência" se mostravam montados em cavalos alados, dividindo a cumplicidade daqueles instantes com personagens de uma conhecida literatura: Alice e seu exército de cartas de baralho acompanhavam-se de D. Quixotes, reeditando o quadro de Pedro Américo em contornos agudamente alegóricos.
Curiosa é a necessidade de sonhar com sonhadores para assim ser remetido a uma questão reflexiva, reflexão essa que levou o gigante menino a sair em busca de "uma independência de fato".
O conceito de "independência" por diversas vezes está ligado ao conceito de "liberdade", por essa razão, em nosso enredo destaca-se o despertar de um gigante consciente, que no desdobramento do seu existir faz se aproximar da fronteira fictícia entre independência e liberdade presente no:
- processo de libertação dos escravos e do exercício livre de sua cultura e religião, na igualdade social com direitos estruturados em conquistas civis e políticas do indivíduo.
- nas asas de uma autêntica cultura:
Com citações que passam pela costura do cinema novo à Central do Brasil, de um Glauber Rocha incorporado a um Walter Salles Jr., permeando o lado Woodstock da "Tropicália" musical e do teatro que se vestiu de noiva para instalar também a sua autonomia.

CUBANGO SUA LIBERDADE SE CHAMA CARNAVAL
Considerando todas as formas de repressão pela qual essa festa já foi alvo, desde o exílio do entrudo até a consagração do Cubango na Sapucaí. Sapucaí, palco que em definitivo abriga e defende a festa da foliã magia, alimento do gigante menino que não se cansa de buscar viver uma independência de fato sem ter que necessariamente sonhar com ela, e se sonhar for imprescindível, que seja defendido aquele que ocorre nos três dias que antecedem as cinzas da contagiante alegria.

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