“O FRUTO DO AMOR PROIBIDO”

LOGUM, segundo a mitologia afro-brasileira, é o fruto de um amor proibido.
Conta-se que OXUM, senhora das cachoeiras e rios, RAINHA DO EFON, todas as tardes, revelava-se às margens de um riacho para banhar-se, e receber os fortes raios solares. Este “O SOL”, criava as tardes, quando apaixonado, cortava o céu, a procura da LUA.
Numa dessas tardes de eterno verão e alegria, no tempo infinito, é coroado um instante. Foi quando OXOSSI, senhor das matas, descobriu a existência de OXUM, quando o Rei do ALA-KETÚ, perdeu-se em seu amor. Foi aí, que OXUM, involuntária conquistou o amor de OXOSSI.
O SOL, continuando a buscar seu amor, some atrás das semanas, surge a LUA procurando o SOL, trazendo consigo, as estrelas para iluminar sua tristeza.
OXUM está pronta a ir embora, com o ABELÊ na mão, coberta com sua saia toda de ouro, parte em direção ao reino EFON.
Seus últimos raios dourados, agora estáno infinito, ajudando a tristeza da Lua, confundindo-se com o brilho das estrelas, acordando com seu brilho, OXOSSI de seu deslumbramento.
O tempo trapaceou mais uma vez em um coroação apaixonado, que já não pode correr atrás de sua amada perdida entre as estrelas.
Astuto, OXOSSI conquista o romantismo e se inspira. Sabendo dos passos de OXUM através dos ventos, coloca em seus caminhos todas as coisas e formas que define o belo.
OXUM está surpreendida e curiosa, e se encanta. Repetia-se tudo através dos tempos, que mais difícil se fazia passar. E na tarde em que o SOL pode ver a LUA, quando apenas uma ESTRELA ainda a acompanhava, neste dia, meio-tarde, meio-noite, quando todos os elementos louvavam o amor, OXOSSI se fez presente a OXUM.
A RAINHA DO EFON, não foi criança, não foi brilhante, não foi amor, ela foi tudo, foi apenas OXUM. E o rei foi OXOSSI. Foram eles, naquela hora, naquela infinito.
Dois seres que se amavam, e que tragicamente pertenciam a nações totalmente opostas, totalmente inimigas.
Fez-se vivo este dia no sangue da criança cincebida por OXUM. Seu nome, LOGUM. Mas, de onde? ALA-KETÚ ou EFON? Que nação merecia príncipe tão belo?
Seus pais disputavam o prazer de viver e amar seu filho, ambos queriam monopólio de LOGUM.
Não se via mais a LUA nem o SOL, os ventos velozes, sem rumo, traziam notícias de guerra.
Houve então um acordo sobre o destino de LOGUM. O príncipe sentaria em seu trono no reino de EFON, até quese fizesse desaparecer, pela trigésima o SOL, em sua procura pela Lua, atrás dos montes.
Daí então partiria para KETÚ, onde o centro lhe esperava acompanhado dos carinhos de seu pai, durante os mesmos pores do SOL. E na tarde de SOL e LUA, LOGUM estaria só. Para refletir, para amar, viver. Para ser como seus pais.
Vivia assim o filho dos REIS. Em KETÚ suas lanças vazavam seus objetos, fazendo temer os animais mais ferozes. Seus músculos formavam-se à imagem das fortes raízes, seu pensamento equilibrado em pontas de espinhos, corria em cipós, seus olhos espelhavam o verde das matas paternas.
EFON o esperava com riquezas, roupas de princesas bem luxuosas. Seus músculos tensos lhe segurava o corpo num salto em parafuso. LOGUM dançava.
Era a força, era a beleza.
Era a mágica contida na metamorfose, meio REI, meio Rainha.
Era a luta contra a necessidade de lutar.
LOGUM era homem quando se fez um dia de solidão. O SOL alegrava-se com a LUA. Neste dia LOGUM caminhou a chegou ao LAGO NEGRO, e trouxe na harmonia dos sentidos, a força de sua razão. Teve a necessidade de se auto-afirmar. Era preciso ser LOGUM, com haviam sido OXUM e OXOSSI, tinha necessidade de ser ele, de ser encontrado com seu ego. Ele não sabia controlar a rivalidade das nações no território de sua mente, se era dócil ou guerreiro; e nesse frenesi de indecisões, LOGUM sumiu nas águas do LADO NEGRO.
Os elementos cantaram ao desespero. Os REIS, os pais, OXUM e OXOSSI, se entristeceram. O SOL nunca mais encontrou a LUA.
Morreu LOGUM, no desespero de sua primeira decisão.

Autores:
José Luiz e Darci

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