“MADRUGADA”

Aborda um tema que conta com a preferência dos boêmios, poetas e cantores.
A madrugada no final de bar, onde o boêmio na embriaguez da bebida e do sono canta para a mulher amada.
A Rainha noturna, que abriga em si os shows deslumbrantes dos motéis, cassinos e boates.
Madrugada, onde, a lua, sua fiel companheira, derrama sobre serão toda a pujança do seu prateado, e o caboclo maravilhado canta lendas e histórias sertanejas.
Madrugada, dos bailes das gafieiras e dos suntuosos salões, com os casais dançando entre passos cruzados e rodopios, formando coreografias em todos os estilos.
Madrugada, onde o pescador busca na sua rede a poesia do mar.
Madrugada, Carnaval. O palhaço, o pierrô apaixonado que chora a colombina, agora abraçada ao arlequim. Pobre pierrô, que canta chorando, entre confetes e serpentinas, o amor que se foi.
Madrugada, as Escolas de Samba levam ao povo o maior espetáculo visual do mundo, transformando-se num verdadeiro teatro ambulante.
Madrugada do labor do jornaleiro, do vendedor de amendoim, da baiana cocadeira.
Madrugada, cenário da passagem do último bloco de sujo, levando na expressão de cada um, a alegria, o cansaço, a ilusão vivida nos três dias de Momo em que o povo extravasa de dentro de si as angústias de um ano sofrido.
Madrugada, respingos cristalinos de orvalho, dourando o despertar do sol, formando a pujança e a beleza das cores do arco-íris.
Madrugada, a passarela canta verdadeiras sinfonias em homenagem ao novo dia, e à Santa Mãe, a Natureza.

Autor:
Ney da Costa Ferreira

1970 - 1971 - 1972 - 1973 - 1974 - 1975 - 1976 - 1977 - 1979